Palavra de Vida de fevereiro 2012

Palavra de Vida - março de 2012 - “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna” (Jo 6,68).

24 Dezembro 2011

O QUE SIGNIFICA A ORAÇÃO? (3ª e última parte)

O silêncio interior

Nos momentos de oração Ele nos falará, ainda que freqüentemente seja difícil saber escutá-Lo por deixarmo-nos envolver pelo corre-corre do cotidiano, que às vezes penetra até mesmo nesse espaço de tempo dedicado à contemplação. Mas, devemos habituar-nos ao silêncio para escutá-Lo, porque Ele nos falará sempre. Não se trata de realizar um silêncio exterior, mas de ter um silêncio interior; isto é, o domínio das nossas paixões, sempre relativo a nossa condição humana (paixão, não somente no sentido negativo do termo), o domínio de todas as nossas agitações, de todos os nossos tumultos psicológicos.

Somente se estivermos além de tudo isso, poderemos escutar quando Jesus nos falará.
A sua voz é sutilíssima. Por isso será necessário realmente um silêncio interior para colhê-la (e a meditação nos oferece a ocasião para um silêncio exterior, que é símbolo daquele interior necessário para escutar Jesus) . Ele nos dirá sempre coisas fundamentais. Poderá nos dizer quando estivermos cansados, confusos com os vários problemas da vida: “Não temas, sou Eu”. Poderá nos dizer também: “Não temam, Eu venci o mundo”. Ou ainda: “Eu estou convosco”.
Jesus apresentará a Si mesmo como modelo, apresentará a sua vida como modelo para a nossa. Uma vida que foi feita de sucessos humanos, de milagres, mas, aparentemente, concluída com um completo fracasso sobre a cruz. Os romanos não sabiam nem mesmo quem Ele era; dos seus correligionários, os israelitas, se sabe que alguns pensavam que fosse Elias ou um outro profeta.
E quando nós lhe dissermos: Jesus, fracassei nesta coisa, estou prestes a  sucumbir naquela outra, Ele nos responderá: “Eu gritei: “Deus meu, Deus meu, porque me abandonaste? “Esta é a meta que te apresento. Ao restante deixe que Eu pense. Não é
importante o sucesso ou o fracasso, o importante para ti é permanecer neste relacionamento comigo.”
Estes são somente alguns exemplos daquilo que o Senhor nos dirá para levar-nos além da qüotidianidade da nossa existência, para introduzir-nos no mundo eterno. E, neste colóquio que poderemos ter com Ele, poderá ocorrer até mesmo milagres. Quem não recorda, a este propósito, o episódio da mulher que sofria de hemorragia e estava no meio de uma multidão que não lhe permitia aproximar-se de Jesus para pedir-lhe de curá-la? Esta mulher pensava: “se eu conseguir pelo menos tocar sua veste, ficarei curada”. Vai avante, consegue tocá-la com fé e fica curada. E Jesus sente sair de si uma força e diz aos apóstolos: “Quem me tocou?”. Os Apóstolos

responderam: “Senhor, estamos no meio de uma multidão e Tu perguntas quem Te tocou?” (cf. Mc 5, 25-31).
Muitos O tinham “suplicado’, mas uma somente tinha encontrado o modo de comunicar-se com Ele, tinha encontrado a “oração”, e Jesus tinha sentido que uma força se desprendera Dele por aquela oração humilde, silenciosa, plena de fé e de abandono.

A oração que nos transforma

Se rezarmos com esta fé, os outros nos encontrarão serenos, porque teremos uma paz que vai além de todos os sofrimentos, mesmo sofrendo como todas as demais pessoas deste mundo. Sentirão uma alegria por estarem conosco, aquela alegria que Jesus diz que o mundo não sabe dar, porque estaremos conduzindo em nosso coração um pedacinho daquele Céu no qual nós teremos vivido nos momentos de oração.
O mundo inteiro está sedento de Deus, e se nós não conseguirmos saciá-lo é porque lhe daremos somente nossas palavras, que “falam” de Deus. Mas o mundo precisa de Deus, mesmo sem as nossas palavras, até mesmo sem que se fale Dele. Conseguiremos isto, se ao ouvirmos a chamada de Jesus, nos colocarmos em um continuo colóquio com Ele.
Sabe-se que hoje são muitos os que desvalorizam a oração vocal, porque consideram a oração intelectual como mais importante. No entanto, o importante é o relacionamento com Deus, que pode ser estabelecido, seja na oração vocal, na mental, nas jaculatórias, no terço, em qualquer outra forma de piedade, mesmo as mais populares e simples (às vezes muito simples para a nossa soberba), mas todas ocasiões verdadeiras, possíveis para que se estabeleça um relacionamento com Deus. Um relacionamento que, naturalmente, não nascerá na oração se antes não tiver nascido da vida. Isto é, não se consegue “rezar” se não houver uma vida completamente direcionada a Deus.

A mais bonita realidade

Se tivermos este autêntico relacionamento com Jesus, a oração se tornará a coisa mais bonita e mais viva do dia. Tornar-se-á para nós uma fonte de água viva, que acontecerá como diz Jesus: “Quem crê em mim, jorrará dele uma torrente de água viva “(cf. Jo 7,38).
A nossa atitude deverá ser da mais completa paz:
deveremos conseguir ter aquela plenitude humana que somente Deus pode nos doar, e que irradiará a paz e a serenidade ao nosso redor. Por isso, repito: a oração será o momento mais bonito do dia; porque será o único momento no qual retornaremos à casa. Sairemos lentamente do mundo que nos circunda, mesmo permanecendo nele; será o momento no qual falaremos com Jesus, manteremos este relacionamento com Ele. Será um falar que não será feito de palavras, como Ele diz: “Quando rezarem digam poucas palavras” (cf. Mt 6, 7).
Será um relacionamento de profundo amor, de súplica profunda, de profundo abandono ao Pai, por meio do Filho, no Espírito Santo, com a ajuda de Maria que, como nas bodas de Caná, pedirá por nós, quando nós não soubermos fazer. Esta será a nossa verdadeira vida. Nós fomos chamados a viver no seio do Pai. A nossa verdadeira vocação será seguir Jesus e viver esta família divina. A oração será o conversar em casa, na nossa verdadeira casa.
Esta quer ser e deverá se tornar a nossa oração. E, seguramente, se tornará, se na nossa vida formos totalmente voltados para Deus. 

Pasquale Foresi (Chiaretto)

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