A forma substancial
Este relacionamento entre nós e Jesus se estabelecerá se conseguirmos realizar “uma escolha de Deus”, que consiste em colocá-Lo no primeiro lugar da nossa existência, em todas as nossas ações. Assim, as orações se tornarão “oração”, se tornarão a maneira substancial de rezar, porque nelas se exprimirá profundamente o ser humano no seu relacionamento com Jesus.
Podem ser vários os modos de rezar. Um tipo de “oração mental” é a meditação, que se faz seguindo diferentes métodos. Um dos mais simples é a leitura lenta e meditativa da Sagrada Escritura ou de escritos de santos. Mas, independentemente de qualquer método como é feita, a meditação deve ser uma ocasião para se encontrar um momento de quietude, de tranqüilidade com Jesus. Pode acontecer que durante esse momento nos sobrevenham preocupações; então falaremos com Jesus, dizendo-lhe: “Ocupa-Te Tu, eu não posso fazer nada, o que posso fazer é somente falar contigo”. E a este tipo de oração podemos chamá-la de “oração de súplica”, “oração de pedido”.
Mas, substancialmente, mesmo quando existe a súplica, a oração deve ser sempre de abandono, isto é, mesmo quando pedirmos alguma coisa, deveremos nos abandonar àquilo que Jesus quer. Se existirem experiências dolorosas, seja na nossa vida ou naquela de pessoas que nos são caras, confiaremo-lhe com tranqüilidade, porque sabemos que Ele nos ama e ama a todos as pessoas, muito mais do quanto podemos imaginar.
Certamente, a mais bonita oração, é aquela de quem é consciente de que Jesus conhece os seus problemas, as suas dificuldades, as suas necessidades e por isso se abandona em uma conversa íntima com Ele, em um estado de doação, de total entrega de si, de alegria pelo encontro que é possível manter com Ele (diz o Evangelho: “O Pai sabe daquilo que vocês têm necessidade, antes mesmo que Lhe seja pedido”: cf. Mt 6, 8). Rezar é dizer a Jesus, e Nele, à Santíssima Trindade: eis, Tu conheces todas as dificuldades que tenho, Tu conheces a minha miséria, a minha pouca fé, Tu conheces as minhas faltas, as dores e as dificuldades que encontro na vida: agora quero estar contigo e contemplar-Te.
O retorno a casa
É o momento no qual se sai de uma realidade contingente que nos afadiga e nos faz sofrer, para entrarmos em contato com Ele, para encontrá-Lo, para viver na nossa casa. De fato, a casa de cada um de nós é a Trindade - o Pai, o Filho, o Espírito Santo, e Neles, Maria e todos os santos. E nós, que vivemos imersos em um mundo que nos parece real, mas ao contrário, é apenas aparente, finalmente poderemos retornar à nossa casa, ao nosso verdadeiro mundo: o mundo da Trindade. A oração será o momento mais bonito da nossa vida terrena, porque naquele momento, conscientemente, viveremos em companhia do Pai, do Filho, do Espírito Santo e de Maria.
Esta contemplação não quer dizer evasão da vida concreta; mas é a verdadeira vida, que nos possibilitará afrontar como cristãos a realidade concreta de todos os dias, com os seus desafios, as suas tribulações, as agitações, o cansaço físico, enfim, com todos os problemas, que poderemos nos deparar, mas que já saberemos afrontar, exatamente por já termos vivido por um momento, por meia hora que seja, na meditação, a nossa verdadeira vida: este colóquio com Jesus.
Pasquale Foresi (Chiaretto)
Continua...
0 comentários:
Postar um comentário